A equipe da UTI neonatal do HU: duas décadas de interação

hu9A UTI neonatal do Hospital Universitário Regional de Maringá (HUM) é, há 20 anos, um espaço reservado para tratamento de prematuros e de bebês que apresentam algum tipo de problema ao nascer. Para oferecer o cuidado especializado que os pacientes do setor demandam, uma equipe multidisciplinar atua dia e noite na assistência e no cuidado das crianças internadas e de suas famílias (ver reportagem).

O tratamento intensivo é, na maioria das vezes, indicado para bebês prematuros – nascidos antes de nove meses de gestação – ou de baixo peso – com menos de 2,5 Kg. Entretanto, qualquer recém-nascido pode precisar da UTI neonatal. Grande parte dos casos é de bebês com dificuldade respiratória, problemas cardíacos ou má formação congênita. “Esses problemas podem ser causados por uma gestação de alto risco, como mães adolescentes, mulheres com doenças próprias da gravidez,  patologias hipertensivas ou doenças infeciosas como a toxoplasmose e complicações da AIDS, por exemplo”, explicou a doutora Shirley Vargas Cardoso, a pediatra intensivista rotineira da UTI neonatal do HUM.

O trabalho da médica é monitorar diariamente o estado de saúde dos bebês e reportar essa evolução às famílias. “Nosso dia a dia é garantir a estabilidade dos nossos pacientes e estamos atentas o tempo todo para avaliar essas condições. Temos uma estrutura de pessoal excelente, contamos também com equipamentos eficientes, mas ainda podemos melhorar muito no que diz respeito à tecnologia. Especialmente, na modernização de alguns aparelhos de fototerapia e dos nossos respiradores”, avaliou Shirley Cardoso.

A pediatra trabalha diretamente com as informações fornecidas pela equipe de enfermagem, que realiza, de perto, o monitoramento de cada um dos pequenos pacientes. Segundo Sonia Aparecida Castilho, que está no setor desde que ele foi criado, assim como a doutora Shirley, a atuação dela e de suas companheiras começa no apoio ao parto de mulheres com gestações de risco. “Acompanhamos o nascimento do bebê e o trazemos, quando necessário, para a UTI. Aqui, monitoramos os sinais vitais, temperatura, batimentos cardíacos, entre outras coisas. Verificamos a necessidade de oferecer oxigênio e recursos; somos responsáveis por alimentá-lo seja por via parental; isto é, por via venosa, ou com alimentação enteral, que passa pelo estômago”, explicou a enfermeira.

“Ainda prescrevermos vários cuidados, como a necessidade de mudar a posição do bebê na incubadora, avaliar se ele está sentindo dor”, acrescenta outra enfermeira, Marli Varonez, também servidora do setor desde 1998. Ela ainda lembra o esforço que a equipe precisa fazer para não se envolver emocionalmente com os pacientes e as famílias deles, que, muitas vezes, ficam meses em contato com a equipe neonatal.

hu7Técnicos – As enfermeiras, por sua vez, são apoiadas pelos técnicos de enfermagem. Segundo Aparecida Deganello de Souza, ela e as outras técnicas dão banho nos bebês, ajudam na coleta de material para exames, limpam o ambiente, cuidando dos equipamentos e dos materiais de consumo. “Além disso, damos apoio às famílias, orientando as mães sobre o que devem fazer com as crianças de baixo peso depois que elas forem para a casa. Esse trabalho de preparação é muito importante, porque as famílias, apesar de ficarem felizes por estarem deixando o hospital, muitas vezes, se tornam inseguras, porque não sabem muito bem como lidar com os bebês tão frágeis”, explicou Aparecida.

Como lembra a técnica de enfermagem, o momento tão esperado da alta e a alegria de finalmente poder levar o filho para casa são únicos. Mas isso depende de algumas condições fundamentais. As principais são: o bebê precisa ter um peso em torno de 2 kg a 2,2 kg; conseguir alimentar-se de forma adequada, principalmente, no seio materno, e estar respirando sem dificuldade. É para garantir todas essas condições que entram na rotina da UTI neonatal dois outros profissionais: a fonoaudióloga e o fisioterapeuta.

detalheA fonoaudióloga Jaqueline Sena Silva diz que sua principal tarefa é garantir que os bebês estejam aptos a se alimentar de leite materno; isto é, “devem conseguir sugar o seio materno após deixarem o hospital. Alguns ficam muito tempo entubados, se alimentando por sonda e, por isso, precisamos agir para prepará-los para a pegarem do peito”, destacou.

Para que esse trabalho tenha sucesso, o Hospital Universitário conta com o Banco de Leite Materno. A equipe do Banco coleta, faz a pasteurização e a distribuição do alimento para vários hospitais. “Na UTI neonatal do HUM o leite, super importante para a saúde e para o desenvolvimento dos bebês, é administrado aos pacientes. Muitos só podem consumir leite materno”, explica a diretora de enfermagem em exercício, Maria Cristiana Pereira Farias Pinto.

Enquanto a fono e o Banco de Leite garantem a boa alimentação das crianças, a equipe de fisioterapia atua para garantir a capacidade respiratória e motora dos pacientes. Everton Jesse Ribeiro estava cuidando de Arthur, um bebê que nasceu de 31 semanas, quando a equipe da comunicação do HUM estava realizando as entrevistas para esta reportagem. O fisioterapeuta tirou o respirador mecânico do bebê, monitorou, ao lado da enfermeira Sônia, a capacidade de resposta dos pulmões do garotinho, e, em seguida, disse que era hora de “exercitar o corpinho dele com terapias manuais para evitar dores e deformidades futuras. Afinal, eles ficam muito tempo deitados e isso pode afetar a estrutura motora do corpo”. Foi visível a satisfação do bebê ao ser manipulado de forma profissional, mas carinhosa. Arthur, de 34 semanas deu um pequeno sorriso, e ameaçou abrir os olhinhos. “Isso é muito gratificante. Garantir esse bem estar”, concluiu o Jesse.