Combate ao Tabagismo exige educação na família

Nesta terça-feira (29), é o Dia Nacional do Combate ao Fumo. Essa data merece reflexão porque o Brasil tem prejuízo anual de R$ 56,9 bilhões com o tabagismo. Desse total, R$ 39,4 bilhões são gastos com despesas médicas e R$ 17,5 bilhões com custos indiretos ligados à perda de produtividade, causada por incapacitação de trabalhadores ou morte prematura. Deve-se considerar, assim, que a arrecadação de impostos com a venda de cigarros no país é de R$ 12,9 bilhões, o que gera saldo negativo de R$ 44 bilhões por ano entre o que o Estado recebe e o que gasta nesta área, como revela o estudo Tabagismo no Brasil: Morte, Doença e Política de Preços e Esforços, feito com base em dados de 2015.

No cenário brasileiro do tabagismo mostrado nesta pesquisa ainda se observa o seguinte: em 2015, morreram no país 256.216 pessoas por causas relacionadas ao tabaco, o que representa 12,6% dos óbitos de pessoas com mais de 35 anos. O estudo informa também que, desse total, 35 mil foram vítimas de doenças cardíacas e 31 mil de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). O câncer de pulmão é o quarto motivo de morte relacionado ao tabagismo, com 23.762 casos. E mais: o fumo passivo foi a causa de morte de 17.972 pessoas.

Desta forma, a equipe do Hospital Universitário Regional de Maringá (HUM) não pode deixar de sugerir uma reflexão sobre esse hábito nada saudável. Para isso, deu voz ao pneumologista do hospital, doutor Giancarlo Sanches, numa entrevista realizada no Departamento de Medicina, localizado no complexo de saúde do HUM.

Assessoria de comunicação (ASC/HUM) – Qual o grande desafio no convencimento das pessoas para que elas parem de fumar?

Giancarlo Sanches (GS)– O desafio é que as pessoas acham que o problema acontece com o outro não consigo próprio. Sempre é essa dificuldade que nós encontramos. Como os médicos não têm como impor as ações ao paciente, fica difícil fazer com que mude de atitude. Mas temos várias técnicas de convencimento com as quais tentamos semear isso na cabeça daqueles que, geralmente, já chegam a nós com comprometimento da saúde. Assim, neste processo de combate ao fumo, primeiro, nós temos que esclarecer e convencer que o cigarro traz danos para a saúde ou já está trazendo. Em seguida, precisamos agir sobre a questão do vício da nicotina, já que um dos principais problemas para largar o cigarro é a dependência química. Nesse passo o médico deve tratar o vício em associação com o psicólogo ou psiquiatra, que vai agir em relação ao problema cognitivo comportamental. Porém, nem todas as pessoas querem fazer esses tratamentos, elas não conseguem se submeter a um processo complexo e multidisciplinar.

ASC/HUM– Quais os principais comprometimentos que o tabaco traz à saúde?

GS – Os dados mostram, em termos de estatística, que 30% de todos os cânceres estão relacionados ao fumo. Este hábito causa processos inflamatórios crônicos que a pessoa leva para a vida. Afinal, o cigarro expõe o organismo a um tipo de inflamação crônica 24 horas por dia. As substâncias que entram no organismo agem em órgãos alvo causando, primeiramente, os cânceres. Mas não é só isso. Segundo dados mundiais, de 100 pessoas com câncer de pulmão 85 adoeceram devido ao fumo. Aqueles que apresentam doença coronariana, por exemplo, infarto e angina, 25% fumaram. Os pacientes de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, de cada 100, 85 também são ou foram fumantes. E 25% das pessoas que tiveram acidente vascular cerebral e acidente vascular encefálico, é porque fumaram.

ASC/HUM – Que tipo de ação efetiva pode ser feita para diminuir o uso do tabaco no Brasil? Estudos do Ministério da Saúde mostram que, de 2006 a 2016, a prevalência de fumantes na população caiu de 15,7% para 10,2%. Mas a situação ainda é crítica.

GS – O problema é que do total de adultos que param de fumar, quase o dobro de adolescentes começa a usar o tabaco. A indústria do cigarro trabalha nas entrelinhas. Apesar da propaganda de cigarro ser proibida, o cinema voltou a colocar o cigarro nas telas e a indústria do tabaco financia inúmeras ações para criar seu exército de consumidores. Além disso, essa indústria está inserida dentro da política, financiando lobbies, que reúnem plantadores de fumo e as fábricas de cigarro. Esses grupos cortam, no ato, qualquer medida preventiva que se origine no Congresso. Desta forma, as campanhas não atingem a população de forma efetiva. Assim, mesmo com as tentativas das instituições de saúde, a grande arma contra o uso do tabaco ainda é a educação, o exemplo dentro de casa. Essa é a saída!

Serviço:

Se você quer parar de fumar, procure ajuda. Aqui deixamos duas dicas:

 Acesse o site do Programa Eu quero Parar de Fumar, do Ministério da Saúde. O endereço é o

http://saudebrasilportal.com.br/eu-quero-parar-de-fumar

Procure informações e acompanhamento com a equipe dos projetos Tabagismo: Conscientização da População de Maringá e Região e Tabagismo: Tratamento aos Usuários de Tabaco de Maringá e Região. O endereço é o http://sites.uem.br/tabagismo