Núcleo de Segurança do Paciente visa o bem estar da comunidade hospitalar

Um dos mais novos serviços de apoio aos pacientes e profissionais do Hospital Universitário Regional de Maringá (HUM) é o Núcleo de Segurança do Paciente (NSP). Apesar do nome, a coordenadora do NSP, a enfermeira Kelly Inoue (foto abaixo), explicou que a proposta do Núcleo pode proteger toda a comunidade hospitalar, quando se modifica a cultura de segurança institucional. Confira os detalhes na entrevista realizada com a coordenadora.

O QUE É O NSP?

Kelly Inoue (KI) – O Núcleo de Segurança do Paciente é o órgão responsável, dentro dos serviços de saúde, em elaborar, implantar e manter atualizado o Plano de Segurança do Paciente institucional. Esse Plano tem que ser alinhado ao Programa Nacional de Segurança do Paciente, que foi instituído em 2013 e propõe a implementação de ações por meio dos protocolos básicos de segurança do paciente e gerenciamento de risco, para melhorar a qualidade dos serviços de saúde, já que a segurança do paciente é um dos atributos da qualidade. Então, o Núcleo de Segurança atua como um articulador, um ponto de apoio, de referência para direcionar, implementar e gerenciar todas essas ações de segurança do paciente dentro de um hospital.

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QUAIS OS MAIORES DESAFIOS DESSA IMPLANTAÇÃO DENTRO DO HUM?

KI – O NSP foi efetivamente implantado no HUM neste ano (2017), com minha nomeação para sua coordenação no dia primeiro de julho. Antes disso, nós tínhamos várias comissões e cada uma delas trabalhava com um determinado protocolo básico de segurança proposto pelo Ministério da Saúde. Infelizmente, comissões dependem muito dos grupos que as constituem e isso limita o envolvimento e o direcionamento de ações, porque cada membro tem uma disponibilidade diferente, em detrimento de responsabilidades laborais que não podem ser proteladas. Então, o primeiro desafio é redirecionar os trabalhos para a implementação efetiva dos protocolos. Além disso, precisamos construir a cultura de segurança, em que cada trabalhador se sinta e seja responsável pela sua própria segurança, pela do colega, pela do paciente e pela dos familiares ou acompanhantes. No primeiro treinamento institucional realizado pelo Núcleo, sobre segurança do paciente no ambiente hospitalar (ver a matéria no link), a adesão dos vários membros que compõem o quadro funcional do HUM foi extremamente baixa. Esse treinamento abordou aspectos introdutórios, éticos e legais, para nivelamento de conceitos, que envolvem o tema de segurança do paciente, e enfrentamos o seguinte cenário: temos mais de mil funcionários de todas as áreas, contabilizando-se, inclusive, os residentes; mas, apenas cerca de 100 participaram de um dos oitos dias em que este minicurso foi ofertado. Então, a taxa de adesão foi baixíssima, espero que com o desenvolvimento das ações a gente vá angariando mais forças, porque não é o NSP que faz a segurança do paciente, a segurança do paciente é feita por todos que trabalham no hospital. Sem a adesão das pessoas, nós não vamos alcançar o objetivo maior que é a segurança do paciente, e que é dada pela implementação de cada uma das metas internacionais.

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QUAIS OS PROBLEMAS PODEM SER EVITADOS COM A IMPLEMENTAÇÃO DO NSP?

Primeiramente, prevenir o dano ao paciente, no sentido amplo: físico, psíquico, financeiro de qualquer intensidade. Para isso, é importante identificar as situações de risco e estabelecer estratégias de prevenção de falhas ou erros. Mas, nós sabemos que mesmo que sejam adotadas medidas de prevenção, podem ocorrer falhas durante a assistência à saúde, que existem riscos intrínsecos ao cuidado; então, nestas situações, o foco deve ser direcionado à minimização dos danos ao paciente. Uma vez que você previne o dano primário ou minimiza a intensidade deste dano, você reduz a ocorrência de danos secundários. Isso porque, comprometimentos na saúde do paciente, decorrentes de falhas no processo de assistência à saúde, podem ter implicações éticas e legais, tanto civis quanto criminais, aos profissionais e ao hospital. Então, quando a gente investe em segurança no atendimento ao paciente, investe também na adoção de procedimentos éticos e legais, prevenindo prejuízosà instituição como um todo.